Foi a primeira coisa que me veio à cabeça aquando de uma certa parte do filme (quero que este post seja spoiler-free, para que todos o possam ler mesmo que não tenham visto o filme (e sim, por vezes penso em inglês por nenhum motivo em especial)).O novo filme da Disney/Pixar é um espanto: é visualmente fabuloso, tem uma história bonita e tocante e uma mensagem profunda e muito importante.
Retrata de um forma bastante realista (no meu ponto de vista), mas não brutal ou ofensiva, aquilo que nos reserva o futuro se não cuidarmos de nós mesmos e do nosso planeta, se nos deixarmos controlar pela tecnologia. Pergunto-vos: quantos de nós vivem sem telemóvel? No entanto, antes de eles existirem, as pessoas comunicavam na mesma e, provavelmente, conviviam mais.
Ontem, li algo sobre a evolução da moralidade nos humanos e como ao longo do tempo tem havido uma progressão geral (nos países ditos civilizados ou educados) no sentido de nos tornarmos mais tolerantes para com as diferenças e mais intolerantes para com a discriminação (por exemplo). Na minha opinião, esta forma de pensar mais humana e mais pacífica deriva do facto de já não ser preciso lutar pela sobrevivência como uma vez foi. Não digo esteja errada, espero que chegue o dia em que nos veremos livres de todos os preconceitos (ainda que ache impossível). Mas com a perda dessa necessidade e com a repressão (muitas vezes em exagero) dos nossos instintos mais básicos, das nossas emoções e impulsos, estamos a tornar-nos permissivos e apáticos. Assim como os humanos retratados no filme. Se continuarmos por este caminho, digo eu, os robots acabarão por nos controlar: não por que os teremos feito demasiado perfeitos, mas porque nos teremos tornado demasiado moles e dependentes para os combater.
Mas, ainda há tempo! E é essa também a mensagem do filme. Com força de vontade, há sempre a possibilidade de recuperar o controlo.
O filme também transmite outra mensagem importante: a importância das plantas para a nossa sobrevivência. Para aqueles que não sabem, conto-vos uma história: há cerca de 4.600 MA (milhões de anos), surgiu o planeta Terra que foi, durante muitos milhares de anos, inóspito, hostil, inabitável. A vida surgiu na água, porque a atmosfera seria letal e o solo infértil. Só quando começaram a surgir os primeiros musgos, as plantas mais primitivas, a rocha foi lentamente, muito lentamente transformada em solo. E foram as plantas que tornaram a nossa atmosfera respirável e permitiram os desenvolvimento da vida em terra. Devemos-lhes a nossa existência. E tratamo-las como se nem sequer estivessem vivas. Não vou dizer que têm sentimentos, que sentem dor ou que sofrem, mas são seres vivos e são-nos essenciais. Querem diminuir os gases de estufa? As plantas consomem dióxido de carbono, que é um dos principais. Querem parar a desertificação: por onde acham que começa? Apesar de que este problema é, provavelmente, bem mais difícil de reverter do que o efeito de estufa. Mas não será impossível. Apenas demorará muito, muito tempo. Temos de pensar nas próximas geraçõe se queremos que a espécie Humana sobreviva. Não podemos depender de robots e computadores. Temos de agir, nós. E ensinar as geraçõs seguintes a fazer o mesmo, para que estes ensinem as gerações que lhes seguirão e por este milénio fora.
A solução não é sair daqui. Não é tentar viver em Marte ou na Lua ou numa estação espacial. É tentar resolver os problemas que criamos, assumir responsabilidade pelo que fizemos.
E uma pessoa não pode fazer, FAZ a diferença! (que é também transmitido pelo filme).
Por isso, vão ver o Wall-E, inspirem-se e comecem a agir. De uma vez por todas.
Wall-E e Eve são propriedade da Disney/Pixar
Imagem Eve (Eva em português): http://www.deskmodr.com/screenshots/2008/03/evepreview.png
1 comment:
Parabéns pelo texto, extremamente bem escrito, muito inteligente e, embora nao tenha assistido ao filme, estou agora considerando fazê-lo.
Estamos nos destruindo e destruindo nosso meio, e esse seu texto veio a calhar. Espero que muitos passem pelo seu blog, leiam-no, "inspirem-se e comecem a agir".
Mais uma vez, parabéns pelo texto e pela iniciativa.
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