Muitas vezes me pergunto o que levou a que nós, Seres Humanos, tenhamos dominado a terra. Afinal de contas há uma série de aspectos (muitos são negativos) que nos diferenciam dos restantes animais. Somos capazes de sabotagem e autodestruição a níveis muito mais complexos que qualquer outro ser vivo. Mas a questão reside aí, em todos os aspectos em que diferimos dos animais ditos irracionais, diferimos apenas no grau de complexidade. Os animais também sentem, também são capazes de aprender e comunicar, e por vezes também são violentos sem causa aparente. Mas a verdade é que o são num grau muito, mas mesmo muito, menor. Menos complexo.
Outro assunto que me intriga é o que nos torna verdadeiramente únicos. Cientificamente falando, existem dois factores principais que influenciam a variabilidade em qualquer ser vivo: o factor genético e o ambiental. No caso do ser humano, não é diferente, uma vez que no ambiental se insere também o factor social. Por outras palavras, nós somos o resultado dos nossos genes, da educação e do meio em que vivemos. Mas será isso suficiente para explicar porque somos tão diferentes? Não. Vejam o exemplo de gémeos monozigóticos: DNA idêntico, à partida frequentarão a mesma escola, serão educados pelos mesmos pais, etc, etc. Ainda assim não são exactamente iguais. E não estou a falar do sinal debaixo do olho direito ou da marca de nascença na barriga, estou a falar nível de gostos, interesses e personalidade.
Então, se os genes e o meio não chegam para explicar a variabilidade no ser humano então o que o justifica? E poderá esse mesmo factor ter contribuído para a supremacia do ser humano?
Neste momento, eu acredito nisso. Acredito que para lá dos nossos genes, das cicatrizes e dos traumas emocionais que fazem de nós o que somos, existe algo único em cada um de nós, um Núcleo imutável, no qual reside a nossa natureza inata, quem nós verdadeiramente somos. Porque existe algo em nós, desde que nascemos e que se manifesta assim que começamos a comunicar e a viver verdadeiramente, que permanece, mais ou menos ocultado por tudo o resto, e que não muda com o tempo e a experiência. E eu acredito que seja isso que transparece no olhar de cada um (mesmo de crianças). Chamem-lhe alma, espírito, o que seja. Eu chamo-lhe o Núcleo do ser Humano, em torno do qual tudo gira e se molda. Mas não me interpretem mal: não acredito que sobreviva à nossa morte física, não acredito que nos seja concedido por uma entidade superior. Se existir, o que quer que seja, surgiu de forma natural (talvez escondido numa sequência do DNA ainda por descodificar e que se manifeste numa zona do cérebro onde ainda não conseguimos chegar).
E aqui regresso ao tema inicial deste post: terá sido o surgir deste Núcleo que levou a que tudo o resto em nós evoluísse? Terá partido daqui a nossa complexidade? Será este núcleo que garantiu ao Homo sapiens sapiens a supremacia no planeta?
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