Eu tenho um post sobre este assunto no meu antigo blog, no entanto, decidi voltar a discutir isso.
Antes de mais, estou a compartilhar convosco a minha perspectiva, a minha maneira de encarar as coisas. Não estou a tentar a convencer ninguém, aliás, foi-me dito que o que vou tentar transmitir-vos é algo que talvez só se adquira com a própria experiência.
Começo por descrever uma situação que provavelmente já vos aconteceu: imaginem tudo o que pode correr mal num dia - entornam o leite/café, atrasam-se para a escola/trabalho, apanham trânsito/perdem o comboio e por aí fora e quanto mais o dia avança pior parece correr. Agora é assim, há uma pequena percentagem do que acontece que é inevitável - tudo o resto resulta directamente da nossa reacção ao inevitável (isto também me foi dito eheh).
O que eu vos proponho, que é o que eu tento fazer, é que aceitem a inevitabilidade dessas coisas e contornem-nas. Por muito difícil que pareça, tentem. A partir do momento em que aceitarem que há coisas que simplesmente acontecem, porque acontecem; que há coisas que não são uma vingança pessoal do destino; que as coisas não acontecem porque erramos no passado.
Há coisas que são inevitáveis. E pode parecer que não, pode parecer injusto mas a verdade é que me tira um peso de cima. Sinto-me mais aliviada por pensar que as coisas simplesmente acontecem e que há coisas que não são minha culpa.
Mas atenção, isto apenas se aplica a uma pequena percentagem do que acontece. Na realidade a maior parte das coisas que nos acontecem derivam das nossas escolhas e das nossas acções. O que por sua vez, para mim, também é reconfortante. À primeira vista pode parecer que não; afinal uma das razões pela qual as pessoas gostam de acreditar em Deus ou no Destino é por isso mesmo, para terem alguém em que por as culpas.
Eu sinto que é reconfortante pensar a maior parte do que me acontece foi falha minha e não porque alguém decidiu que devia acontecer por um simples facto: se a culpa foi minha, então existe a possibilidade de melhorar, de fazer melhor da próxima vez, de aprender com os meus erros. Se tudo (ou quase) que me acontece fosse desígnio desse alguém, então o meu futuro dependeria apenas da minha capacidade de engraxar essa mesma entidade. E eu não tenho jeito nenhum para isso. É como acontece com alguns (eu espero que não muitos) professores: se embirram com um aluno e têm a possibilidade de lhe fazer a vida negra, o aluno pode matar-se a estudar que o professor continuar a arranjar maneira de não lhe dar o devido valor. Acontece. (E aqui também à maneira de dar a volta à coisa: podem sempre pedir revisão de prova por um outro professor independente, por exemplo. Eu sei que não faço isto que estou a dizer, mas que é verdade é.)
O que eu quero transmitir aqui é o meu segredo. Se o facto de eu me sentir (quase) constantemente feliz, de permanecer optimista e viver em estado de contentamento vos faz sentir mal de alguma forma, pelo menos tento partilhar convosco como consigo. Podem sempre tentar. O meu outro segredo é mais difícil de transmitir é a minha capacidade de tirar força das pequenas coisas. Há coisas que para o mundo inteiro são insignificantes e que são capazes de iluminar o meu dia. Mas isso, eu tenho noção, veio com o tempo e com a (parca) experiência que tenho. E só espero que estes não me levem esta capacidade.
Termino este texto da forma que pretendo terminar todos: com uma pergunta.
E vocês? O que é vos faz sentir feliz?
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