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"The only sin there is, is stupidity" - Oscar Wilde

Monday, November 30, 2009

Evolução

De todas as teorias científicas, a Teoria da Evolução é, sem dúvida, a minha preferida. Assim como uma das minhas áreas preferidas dentro da Biologia.
Para mim é tão simples e intuitiva que não consigo perceber como existem pessoas que a negam e rejeitam. Faz todo o sentido - encaixa perfeitamente em todos os factos conhecidos (e explica-os!).
Não me vou alongar, porque não tenciono expor aqui a teoria. Se não a conhecem ou a querem escolher melhor sugiro-vos que leiam "A Origem das Espécies" de Darwin e/ou "O espectáculo da vida" ("The Greatest Show on Earth") de Richard Dawkins (confesso que ainda não li o primeiro, mas o livro de Dawkins é simples genial e extremamente acessível (como são todos)).
O que me atrai mais nesta teoria é a possível universalidade desta, uma vez que, no fundo, tudo evolui. E por processos paralelos à selecção natural - afinal, aquilo que não resulta é quase sempre eliminado. A "sobrevivência dos mais aptos" (o que nem sempre significa "mais fortes") é uma constante universal.

O que me ocorreu hoje (e que tem andando a rondar na minha cabeça, mesmo no limite da percepção) é como nós, seres humanos, evoluímos também a nível psico-emocional, durante as nossas vidas. Ouve-se muito que "as pessoas não mudam", mas o que se devia dizer é que "as pessoas não mudam muito em pouco tempo." As pessoas mudam, é uma consequência inevitável da aprendizagem e da experiência. Ninguém pode dizer que é a mesma pessoa que era há 5, 10, 20 anos atrás. Podemos continuar a acreditar nas mesmas coisas, a defender os mesmos ideias e a ser algumas das mesmas coisas. Mas não vemos o mundo da mesma forma, não lidamos com as circunstâncias da mesma maneira. Eu sei que não sou a mesma pessoa que era há um ano atrás. E nem é preciso conhecer-me há muito tempo para perceber isso. Continuo a ser uma rapariga inteligente, sensível, honesta e sonhadora? Sim. Mas sou também mais madura, mais sensata, mais determinada e mais atenta. Mas será que consigo identificar no tempo, neste ano que passou, o momento exacto que me fez dar um salto? Claro que não. Da mesma forma que é muito difícil (senão impossível) determinar em que momento da história as aves se separaram do resto dos répteis.
Mas essa é a beleza desta teoria. A teoria da evolução (como compreendida actualmente) diz-nos que as espécies evoluem gradualmente e não em surtos. E num gradiente não há pontos exactos de separação. Da mesma forma, numa escala temporal muito mais pequena, cada pessoa evolui, cresce e, consequentemente, muda. Nós é que só nos apercebemos dessas alterações quando estas se acumulam e a diferença se torna substancial.
A história complica-se quando falamos dos outros. Poder-se-á dizer que nunca conhecemos verdadeiramente uma pessoa, porque aquilo que conhecemos é a imagem que criamos delas. E, por vezes, essa imagem está errada e sofremos desilusões (normalmente). E, outras vezes, essa imagem está desactualizada, o que também pode quebrar laços (e corações). Isto por várias razões: por um lado porque as alterações ocorrem de forma gradual e, relativamente, lenta e nós não nos apercebemos; por outro, porque temos aquela ideia fixa de que as pessoas não mudam e porque, por razões sentimentais, nos agarramos àquela imagem que nos é querida e que não queremos acreditar que possa ser errada. E como não queremos acreditar, não acreditamos e dizemos a nós próprios que é só uma fase, que há-de passar, que no fundo ainda é a mesma pessoa que sempre conhecemos. Mas não é. Porque as pessoas mudam, devagarinho, mas mudam.

Acusam-me muitas vezes de ser "miúda" porque não tenho experiência, mas tenho experiência que chegue para saber que o valor desta depende muito da forma como é medida e do uso que se lhe dá. Posso ter pouca experiência, mas à que tenho, dei bom uso e isto foi o que aprendi: as pessoas mudam, quer queiramos, quer não. Algumas coisas ficam, outra perdem-se, outras revelam-se. E mais, muitas vezes, é essa mesma cisma de que as pessoas não mudam que nos parte o coração e nos desilude. Se, em vez de insistirmos na imagem que sempre tivemos de alguém, investíssemos em actualizar essa imagem e em nos adaptarmos a ela, talvez as relações (de qualquer tipo) durassem mais. No que toca a nós próprios: se nos apercebemos de que mudamos podemos sempre tentar reverter o processo, ou melhor, tentar readquirir as características que perdemos e que faziam de nós alguém melhor. Mas, para isso, temos de perceber que as perdemos de todo. E só assim, só encontrando a constante no seio de todas as alterações, poderemos descobrir o que nos define, o que nos torna únicos e o que realmente importa.

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